Mamografia

Quais os sintomas, tratamentos e como se prevenir

A mamografia é o único exame, que quando realizado de maneira sistematizada, a partir dos 40 anos em mulheres assintomáticas, comprovadamente leva a redução da mortalidade pelo câncer de mama (Comissão Nacional de Mamografia; Colégio Brasileiro de Radiologia; Sociedade Brasileira de Mastologia; Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, 2019).

Quando detectado em um estágio subclínico por meio da mamografia, o tratamento ao câncer de mama se torna mais adequado, pois o mesmo câncer, se detectado ao autoexame, este já estará em estágio mais avançado, não tendo nenhum estudo que comprove qualquer benefício para o tratamento da paciente.

O risco de câncer radioinduzido é extremamente baixo, considerando-se as doses de radiação envolvidas em cada exame, não existindo estudos que demonstrem que os riscos excedam os benefícios na faixa etária recomendada.

Indicações:

Mamografia diagnóstica: realizada em pacientes sintomáticas, sendo que o primeiro exame por imagem deve ser efetuado após os 40 anos.

Mamografia para detecção precoce do câncer de mama (rastreamento): a partir dos 40 anos, anualmente.

Mamografia em mulheres de alto risco (rastreamento):

  • 10 anos antes da idade que foi diagnosticado câncer em parente de primeiro grau (neste caso pais e irmãos), mas não antes dos 30 anos. Exceção: suspeita de mutação do BRCA 1 e 2 (estes são genes ligados a hereditariedade genética; quando sofrem mutação perdem sua função);
  • Mutação do BRCA 1 e 2;
  • Mulheres submetidas a radioterapia no tórax ou axila por doença de Hodgkin (câncer que se origina no sistema linfático) aos 18 anos ou antes dos 30 anos; a mamografia é indicada 8 anos após o término do tratamento;
  • Mulheres com diagnóstico histológico limítrofe (como cicatriz radial, papiloma com atipias, Carcinoma Lobular in situ (CLIS), Hiperplasia Lobular Atípica (HLA), Hiperplasia Ductal Atípica (HDA)); iniciar logo após diagnóstico;
  • O uso da ressonância magnética tem sido utilizado em muitos casos de rastreamento para grupos de risco.<;li>

Realizando o Exame

A realização da mamografia é um dos aspectos mais importantes para detecção e diagnóstico do câncer de mama, sendo que o posicionamento correto das mamas é de suma importância para a qualidade do resultado.

A compressão realizada pelo aparelho é elemento fundamental para a aquisição de imagem passível de ser interpretada, reduzindo a espessura da mama, permitindo, dessa forma, uma menor sobreposição de estruturas.

Mulheres portadoras de implantes mamários e homens, em quem a principal causa é a ginecomastia, podem e devem realizar o exame.

Achados

  • Nódulo: definido como achado tridimensional, detectado em duas incidências, com margens convexas. A margem é a característica mais importante para o diagnóstico, margens microlobuladas e espiculadas são altamente sugestivas de malignidade (BI-RADS® categoria 5);
  • Formas e Margens

    Imagem Formas e Margens
  • Calcificações: devem ser diferenciadas entre benignas (BI-RADS® categoria 2), suspeitas e malignas. As benignas são, em sua grande maioria, redondas, grandes, grosseiras e com margens regulares mais facilmente visíveis que as malignas, e nem sempre precisam ser relatadas. Quanto a sua distribuição na mama, as calcificações podem estar difusas (disseminadas), regionais (quando ocupam espaço >2 cm3 do tecido mamário, não configurando distribuição ductal), agrupada (ocupam espaço > 2 cm3 do tecido mamário), lineares (disposição em linha) e segmentares.
    As microcalcificações, dependendo das suas características, são um dos sinais mais importantes de câncer de mama não palpável detectável quase exclusivamente pela mamografia, determinando uma elevada probabilidade de cura, principalmente nos carcinomas ductais in situ.
  • Distorção arquitetural: quando se observa a distorção da arquitetura da glândula, sem a presença de um nódulo definido.
  • Assimetria global: representado por um grande volume de tecido mamário não presente na área correspondente de mama contralateral, sem nódulos, calcificações ou distorções. Geralmente corresponde a tecido mamário normal, mas deve ser melhor investigado, geralmente com ultrassom, na presença de alguma anormalidade palpável.
  • Assimetria focal: quando o achado não se ajusta aos critérios de nódulo.
  • Achados associados: termo utilizado com nódulos, assimetrias, ou calcificações ou descritos simplesmente como achados, quando não há outra anormalidade. O termo pode ser utilizado para retração de pele e de papila, espessamento de pele (>2mm) e trabecular, lesão de pele e adenopatia axilar.

Curiosidade

Para reforçar a importância do exame, foi criado o Dia Nacional da Mamografia, lembrado no dia 5 de fevereiro em todo o país.