Endometriose

Quais os sintomas, tratamentos e como se prevenir

A endometriose representa uma afecção ginecológica comum, atingindo 10-15% das mulheres em período reprodutivo (dados da Associação Brasileira de Endometriose). Estima-se que haja mais de 70 milhões de mulheres com endometriose no mundo. A doença é definida pelo implante do endométrio (camada que reveste internamente o útero) fora do útero, podendo, desta forma, comprometer diversos locais, dentre eles:

  • Ovários: são estruturas importantes presentes no corpo feminino responsáveis pela produção de hormônios femininos e desenvolvimento de células reprodutivas (óvulos)
  • Peritônio: é a membrana que recobre as paredes do abdome e a superfície dos órgãos digestivos
  • Ligamentos uterossacros: é um tecido fibroso que se estende da parte posterior e superior do colo do útero até o sacro (osso), responsável pela fixação e sustentação do próprio útero
  • Região retrocervical: atrás do colo uterino
  • Septo reto-vaginal: a endometriose neste caso é descrita por um processo de aderência extensa e profunda que une útero e reto (intestino)
  • Reto/sigmoide: sigmoide parte transversal do intestino que liga o intestino grosso ao reto
  • Íleo terminal: é a última porção da anatomia do intestino delgado
  • Apêndice: um tubo vermiforme que parte da primeira parte do intestino grosso e que se situa na região inferior direita do abdome
  • Bexiga: víscera oca que armazena a urina produzida pelos rins antes de ser eliminada, e
  • Ureteres: tubo que faz parte das vias urinárias, ligando a pelve do rim a bexiga; tem por função encaminhar a urina do rim até a bexiga.

Todos os meses o endométrio se espessa para que ocorra a implantação do óvulo fecundado. Quando a gravidez não ocorre, esse endométrio descama, em forma de menstruação, sendo expelido para fora do corpo. Em alguns casos, porém, um pouco desse sangue, não se sabe a causa para tal comportamento, migra em sentido oposto, caindo nos ovários ou na cavidade abdominal, causando a endometriose.

Ressalta-se que a doença acomete mulheres desde a primeira a última menstruação, sendo que, geralmente, o diagnóstico acontece quando a paciente encontra-se na faixa dos 30 anos, devido a dificuldades de diagnostico pelo profissional médico não especialista.

Os principais sintomas: cólicas menstruais intensas e dor durante a menstruação, dor pré-menstrual, dor durante as relações íntimas, dor difusa ou crônica na região pélvica, fadiga crônica e exaustão, sangramento menstrual intenso ou irregular, alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação, dificuldade para engravidar e infertilidade.

Aproximadamente 20% das mulheres tem apenas dor, 60% tem dor e infertilidade e, 20% apenas infertilidade.

Como a endometriose ainda é uma doença de difícil diagnóstico por meio do exame físico, realizado durante consulta ginecológica, os exames de imagem são mais adequados para indicar a possível existência do problema, que será confirmado posteriormente por meio de exames laboratoriais específicos.

Entre os exames de imagem que podem sinalizar o problema, destacam-se:

  • Ultrassonografia transvaginal: permite a identificação de endometriomas, aderências pélvicas e endometriose profunda. Em alguns centros faz-se o preparo intestinal para melhorar o resultado da leitura do exame
  • Ressonância magnética: exame usado na avaliação de pacientes com endometrioma e endometriose profunda (ajuda na elucidação de duvidas após realização de ultrassom)
  • Laparoscopia: “padrão ouro” no tratamento e diagnóstico , consiste de pequenas incisões na barriga, e na introdução de instrumentos telescópicos para a visualização, e possível retirada de lesões, quando presentes. Este procedimento, também permite a retirada de material para avaliação histológica e o tratamento cirúrgico das lesões.

Vale ressaltar que hoje existem diversos métodos não invasivos de tratamento para a endometriose, o que podem reduzir o número total de procedimentos a que a paciente é submetida. Lembrando que a endometriose é uma doença crônica, e por este motivo, o acompanhamento médico contínuo é fundamental.