BI-RADS®

Conheça sobre o este sistema.

O sistema BI-RADS® (Breast Imaging Reporting and Data System)

O sistema BI-RADS® (Breast Imaging Reporting and Data System) foi introduzido no Brasil em 1998 após uma reunião de consenso promovida pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), juntamente com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), com o objetivo de padronizar a nomenclatura utilizada e os laudos de mamografia.

Categorias BI-RADS®
Categoria Interpretação VPP* Conduta
0 Inconclusivo Exame adicional
1 Benigno 0% Controle anual a partir dos 40 anos
2 Benigno 0% Controle anual a partir dos 40 anos
3 Provavelmente benigno < 2% Controle semestral
4 (A,B,C) Suspeito >2 e <90% Biópsia
5 Provavelmente maligno >95% Biópsia
6 Lesão maligna (biopsia ou diagnosticada), não submetida a terapia definida 100%

* VPP: Valores preditivos positivo (é a porcentagem de doentes entre os positivos pelo teste)

 

Entendendo a classificação BI-RADS®

Ao realizar o exame de mamografia foram encontradas algumas lesões, sejam elas, cistos, calcificações, nódulos ou lesões claramente malignas; torna-se de extrema importância que o laudo deste exame seja o mais claro, compreensível e padronizado possível, para que todo médico, independentemente de sua especialidade, possa entender e interpretar os resultados dando as orientações e seguimento cabíveis a cada paciente.

Categoria zero: é uma avaliação incompleta, ou seja, requer exames adicionais, com incidências adicionais as duas padrões (craniocaudal e oblíqua-meio-lateral). Podem ser necessários também exames anteriores para comparação, ultrassom ou ressonância nuclear magnética.

Conduta: estudo complementar.

Categoria 1: significa mamografia negativa, ou seja, mamas simétricas, sem massas, distorções de arquitetura ou calcificações suspeitas.

Conduta: controle mamográfico periódico anual em pacientes acima de 40 anos.

Categoria 2: mamografia negativa, com achados benignos. Em relação ao achado de câncer, se assemelha a classificação BI-RADS® 1, mas neste caso, o radiologista opta por descrever achados benignos característicos, cujo grau de precisão de diagnóstico através da mamografia é grande. Nesta categoria incluem-se: fibroadenomas calcificados, calcificações múltiplas de origem secretória, cistos oleosos, lipomas, galactocelos e hamartomas de densidade mista, além de implantes de silicone e cicatrizes cirurgicas.

Conduta: controle mamográfico periódico anual em pacientes acima de 40 anos.

Categoria 3: é utilizado nas avaliações onde o resultado é “provavelmente benigno”. Nestes casos a mamografia deverá ser repetida após 6 meses. Se o novo exame repetir a classificação BI-RADS® 3, uma nova mamografia deverá ser feita após 6 meses (12 meses após a primeira). Se nesse décimo segundo mês, o exame mamográfico permanece sendo BI-RADS® 3, pode-se repetir o exame doze meses depois, totalizando vinte e quatro meses do exame inicial. Caso o achado mamográfico persista, a mamografia pode ser caracterizada como, a critério do radiologista, como BI-RADS® 2 – benigna – ou BI-RADS® 3, provavelmente benigna.

As lesões pertencentes a esta categoria são: cisto não-palpáveis complicados, ou massas ovaladas sólidas, hipoecóicas e circunscritas que não são facilmente distinguíveis de cistos complicados. Microcistos agrupados sem um componente sólido também podem ser classificados como BI-RADS® 3. A incidência de neoplasia maligna nessas lesões é menor do que 2%.

Categoria 4: são lesões suspeitas (risco de malignidade somam de 20 a 80%), incluindo as que necessitam de avaliação histológica ou citológica adicional. Como há um grande número de lesões pertencentes a este grupo, o mesmo foi subdividido em A, B e C.

Categoria 4A: encontram-se as lesões que necessitam de intervenção mas cujo grau de suspeita para malignidade é baixo. Nesta categoria estão os cistos complicados que necessitam de aspiração, as lesões palpáveis sólidas, parcialmente circunscritas, e que ao exame de ultrassonografia, sugerem-se tratar-se de fibroadenomas, ou abcesso mamário. O segmento dessas lesões pode mostrar um resultado de anatomopatológico benigno, ou comprovar sua malignidade.

Conduta: controle mamográfico semestral – após resultado de exame cito ou histopatológico benigno.

Categoria 4B: estão as lesões de grau intermediário de suspeita para lesões malignas. Nesta categoria, as lesões precisam de correlação histopatológica. Caso o resultado seja benigno, é necessária a concordância entre todos os membros da equipe para fechamento do diagnóstico. Uma massa de margens indistintas, com algumas áreas circunscritas, onde o diagnóstico seja necrose gordurosa ou fibradenoma é um achado aceitável. Já no caso de uma diagnóstico histopatológico de papiloma, pode-se sugerir o prosseguimento da investigação com biopsia excisional (que consiste numa intervenção cirúrgica para remoção total da lesão e da área circundante para diagnóstico).

Conduta: procedimento invasivo com correlação radiológica/ histopatológica.

Categoria 4C: nesta categoria estão as lesões de grau moderado, mas não clássicos (BI-RADS® 5) de neoplasia. Nesta categoria estão as massas irregulares e mal-definidas, ou novos grupamentos de calcificações pleomórficas. O resultado anatomopatológico das lesões BI-RADS® 4C esperado é o de neoplasia maligna. Conduta: estudo histopatológico.

Categoria 5: é composta por lesões cujo resultado anatomopatológico, salvo exceções, é o de carcinoma de mama. Nesta categoria 95% das lesões são câncer de mama, com descrição clássica: massas espiculadas, irregulares, de alta densidade, ou massas espiculadas de alta densidade associadas a microcalcificações pleomórficas (se refere a capacidade de mudança de forma), ou calcificações lineares finas dispostas num segmento ou linearmente.

Categoria 6: para achados mamográficos já biopsiados cujo diagnóstico anatomopatológico é de câncer de mama, antes da terapia definitiva. Ela pode, por exemplo, ser usada para classificação dos achados de uma mamografia de monitoramento após quimioterapia neoadjuvante (para saber mais sobre quimioterapia clique aqui), ou pata revisões diagnósticas de achados biopsiados.