Inserção de Implantes Hormonais

Quais os sintomas, tratamentos e como se prevenir

As pesquisas com implantes subcutâneos têm uma história controversa no país, pois surgiu com a emancipação feminina (movimentos iniciados em final do anos 70 e começo dos anos 80), assim como seu controle sob sua fertilidade; e em âmbito nacional, no controle da taxa de natalidade, ditada pelo governo, principalmente nos países mais carentes e em desenvolvimento. Depois de muita discussão, entre governo, bioética, e representantes de classe, a partir da década de 2000, os implantes subcutâneos ressurgem no mercado farmacêutico brasileiro, como uma forma segura, eficaz e relativamente duradoura para acessar tratamentos hormonais diversos.

Sua eficácia em relação a medicação tomada via oral é: sua ação prolongada (de 6 meses a um ano, dependendo do tipo do hormônio) e o pouco controle da usuária (como o esquecimento em tomar a medicação, nos métodos convencionais orais; que sempre causam prejuízo ao tratamento).

Os implantes hormonais são pequenos tubos de silicone, inseridos na parte interna do braço, ou acima das nádegas, cujo procedimento médico envolve domínio da técnica e uma dinâmica específica entre equipe médica e paciente no consultório/clínica. Estes tubos possuem a dosagem necessária a paciente, que será liberada no organismo gradativamente, durante seu tempo de uso, pré-estabelecido. Para interrupção do tratamento, basta a retirada do implante, realizada pela equipe médica, sem prejuízos a sua usuária.

No mercado hoje, encontram-se 5 tipos de hormônios disponíveis no formato de implante:

  • Testosterona e estrogênio: muito usado na deficiência hormonal na menopausa;
  • Gestrinona: trata muitas doenças ginecológicas, através de um bloqueio hormonal;
  • Nestorone: trata a endometriose e funciona como um anticoncepcional;
  • Nomegestrol: funciona como método contraceptivo;

Ressaltando que não devem ser utilizados para fim de estética, os implantes hormonais são uma opção de tratamento ginecológico para endometriose, adenomiose, miomas, TPM, reposição hormonal da menopausa, ou mesmo como método contraceptivo.

Trazem como benefícios a melhora da libido, a interrupção das menstruações (eliminando cólicas e TPMs), além de favorecer o ganho de massa magra e redução da gordura copórea e celulite (efeitos benéficos secundários, considerados colateral ao tratamento).

Como todo método hormonal, o implante de gestrinona pode trazer como efeitos colaterais, a possível piora da oleosidade da pele, acne, queda de cabelo e sangramento irregular, dentre outros.

Nos tempos modernos, os implantes vêm como um tratamento seguro, eficaz e relativamente duradouro para acessar tratamentos hormonais diversos, como o tratamento da endometriose e miomas, por exemplo, assim como a supressão da menstruação, algo positivo e desejável além mesmo de um estilo de vida para as mulheres da atualidade.

Maiores Detalhes

O Que São Hormônios Bioidênticos?

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, hormônios bioidênticos são “substâncias hormonais que possuem exatamente a mesma estrutura química e molecular encontrada nos hormônios produzidos no corpo humano”. Exemplo: estradiol e progesterona (hormônios ovarianos).

Indicações Terapêuticas

Gestrinona: endometriose, miomatose, TPM, adenomiose, hipertrofia uterina, baixa da libido, perda de massa muscular e da massa óssea, revertendo, quando associada ao estrogênio, a osteopenia ao fim de alguns meses. Possui ação anovulatória.

Nestrone: endometriose, terapia de reposição hormonal e anovulação (suspensão ou cessação da ovulação). Outras patologias hormônio-dependentes podem ser incluídas.

Estradiol: deficiência de estrogênios, vaginite atrófica, hipogonadismo feminino, insuficiência ovariana primária, menopausa, hemorragia uterina induzida por desequilíbrio hormonal, carcinoma metastático de mama em mulheres pós-menopáusicas, carcinoma de próstata avançado, osteoporose pós-menopáusica.

Testosterona: menopausa ou casos de hipogonadismo feminino.

Nomegestrol: alterações na duração do ciclo menstrual: oligomenorreia, polimenorreia, espaniomenorreia e amenorreia. Hemorragias genitais funcionais: metrorragias, menorragias, incluindo as relacionadas a fibromas. Manifestações funcionais que antecedem ou acompanham a menstruação: dismenorreia essencial, síndrome pré-menstrual e mastodinia clínica.

Por Que os Implantes Hormonais Estão Sendo Renomeados, Em Meios de Comunicação, e Pelo Senso Comum Como “Chips” Contraceptivos?

Em meados de 2014 diversos meios de comunicações internacionais divulgaram o lançamento para 2018, de microchips contraceptivos. Essas reportagens referiam-se, especificamente, a uma versão digital da técnica de implantes subcutâneos que contém 100 micros reservatórios (pequenos compartimentos hermeticamente fechados) capazes de armazenar 1 mg de droga, cujo acionamento é realizado por um sinal de rede sem fio, capaz de ativar a liberação da dosagem pré-programada da droga (empresa Microchips Biotech Inc.). Além disso, no site da empresa (http://microchipsbiotech.com/technology.php), encontram-se também informações que os implantes podem ser acionados através de sensores que liberam as substâncias em resposta a mudanças fisiológicas ou metabólicas no paciente.

Comparado aos implantes hormonais, a tecnologia dos microchips é apresentada como superior, seja pela durabilidade (de até 16 anos após a inserção), seja pela possibilidade de manuseio, pela paciente ou equipe médica, mediante necessidade, sem a retirada do dispositivo, como ocorre no caso dos implantes de silicone.

Um ponto contra essa nova tecnologia, foi o questionamento quanto a segurança e eficácia da comunicação por via do controle remoto, que fazem disparar a abertura do reservatório. A possibilidade de uma terceira pessoa, que não a paciente ou o médico, poderem acessar o dispositivo, também foi uma das inseguranças do método, levantada pela comunidade científica e não-científica.

Nesse mesmo ano (2014) a imprensa brasileira fez reportagens sobre os “chips” contraceptivos, desconsiderando quase que completamente a diferença entre “chips” e implantes subcutâneos, embora ao ler as reportagens, fica claro que se referiam aos implantes de silicone. Embora tenha sido importante para o mercado nacional, trazendo a tona a discussão e o acesso das pacientes ao implante, torna-se de suma importância, que ao optar pelo tratamento, a mesma, tenha conhecimento sobre o acesso e a diferença entre os métodos; sendo que o chip ginecológico hormonal, ainda em estudo, não esta disponível no Brasil. Em nosso país, faz-se uso dos implantes de silicone hormonais.